A AGRICULTURA FAMILIAR NO CEARÁ: UM COMPARATIVO DAS SUAS CARACTERÍSTICAS SOCIOECONÔMICAS A PARTIR DOS CENSOS AGROPECUÁRIOS DE 2006 E 2017
SOUZA, Luana Alves de. A agricultura familiar no Ceará: um comparativo das suas características socioeconômicas a partir dos censos agropecuários de 2006 e 2017. [Monografia de Graduação em Ciências Econômicas]. 2024. 72f. Crato-CE: Universidade Regional do Cariri – URCA, 2024.
RESUMO
A relevância da agricultura familiar no Brasil ganha notoriedade com o Censo Agropecuário de 2006, sendo estimulado o debate sobre o tema desde meados da década de 1990. Nesse contexto, o objetivo do presente trabalho é analisar o fortalecimento da agricultura familiar no Ceará, entre os anos de 2006 e 2017. Tendo como objetivos específicos: a) abordar a formação e desenvolvimento da agricultura familiar no Brasil; b) apontar a importância econômica e social da agricultura familiar no Nordeste brasileiro; e, c) fazer uma análise comparativa das características socioeconômicas da agricultura familiar no Ceará a partir dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017. Do ponto de vista metodológico, inicialmente foi realizada uma pesquisa bibliográfica a partir de materiais já publicados sobre a temática. Em seguida, adotou-se uma abordagem descritiva, permitindo descrever as características dos produtores e dos estabelecimentos familiares na área de estudo. Para tanto, os dados da pesquisa foram coletados através de fontes secundárias, obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), a partir dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017. Os dados foram tabulados e apresentados em tabelas e gráficos. Em linhas gerais, o estudo constatou que a agricultura familiar desempenha papel importante na agropecuária cearense. Os dados censitários revelaram a predominância da agricultura familiar, a qual responde por 75,5% dos estabelecimentos agropecuários do estado. Os estabelecimentos familiares ainda são conduzidos majoritariamente por homens, no entanto, aumentou o número de agricultores familiares com idade de 65 anos ou mais, enquanto diminuiu a parcela de jovens com menos de 25 anos. Destaca-se também a permanência do baixo nível educacional dos agricultores. Em relação à posse da terra observou-se uma ampliação de proprietários entre 2006 e 2017. Prevalece, em termos de área, os estabelecimentos com até 5 hectares. Outro aspecto relevante é que o acesso ao crédito e à assistência técnica continua sendo um desafio para os agricultores familiares, predominando a exclusão. No que diz respeito à posse de capital físico e acesso a tecnologias produtivas, notou-se que a presença de máquinas e implementos agrícolas é praticamente inexistente, demonstrando que permanece reduzida a mecanização na agricultura familiar cearense. Quanto aos aspectos produtivos, evidenciou-se a retração da área ocupada pelas lavouras (temporárias e permanentes). No caso da pecuária, houve aumento da sua representatividade enquanto atividade econômica. Além do mais, cresceu a criação dos rebanhos bovinos, ovinos e a produção de leite de vaca. Portanto, são notáveis as transformações ocorridas no panorama da agricultura familiar, essas transformações, contudo, não foram suficientes para criar condições para o desenvolvimento e fortalecimento da agricultura familiar no Ceará.
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